Meu coração partido com sua ausência parece ter acionado algum controle interligado aos olhos, que não param mais de derramar lágrimas.
Minha visão ficou turva, não só pelas lágrimas incessantes, mas porque longe de você eu já não consigo mais enxergar direito o mundo. É você quem me dá a luz para ver os raios de sol, as cores para ver a beleza. É você quem me conduz pelos caminhos, segurando minha mão na sua. É estando juntos que descobrimos os pequenos detalhes de uma paisagem, que encontramos os melhores ângulos das imagens fotografadas em nossas memórias.
E com a visão turva, nada faço direito. Não ando, não danço, não leio, não tomo café, não como. Não. Não é só isso. Não como mais, por conta da total ausência de fome. Eu só me alimento das nossas lembranças juntos.
Depois de tudo, eu, que antes disse que você havia entranhado na minha alma, vejo que estava equivocada. Foi uma afirmativa subvalorizada. Você entranhou nos meus pulmões, nas minhas artérias, no meu estômago, na minha pele, no meu sangue.
Agora responde: como é possível não ter você ao meu lado? Vou apenas sobreviver, com os olhos turvos, com as mãos cansadas de tanto me apoiar nas paredes para não cair, num universo em branco e preto.
E você ainda me pede para não sofrer.
Não peça isso, pois só o que cessaria a dor latejante desse meu coração partido seria a sua presença ao meu lado, para sempre. Eu viveria de novo.
O que me sustenta, por enquanto, é saber que você existe dentro e fora de mim. Não foi sonho. Você existe. E a lua, a nossa lua, não vai me deixar esquecer disso.
Meus olhos, por estarem afetados, não me deixarão enxergá-la tão bem. Mas basta fechá-los para conseguir ver nossa casa de janela de flor com as portas abertas, com você sentado na varanda, sorrindo. (Flávia Burjato - em 19/05/12)
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