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Minha idéia inicial era a de criar um blog sobre culinária, com experiências e aventuras gastronômicas, dicas, receitas, "pequenos grandes" restaurantes (e botecos... e pé-sujos...).


Na verdade, tenho um desejo, lá no fundinho, de ser chef de cozinha, mas como isso (ainda) não foi possível, quero compartilhar com o MUNDO todo, ou pelo menos com meus queridíssimos seguidores, minhas pitorescas histórias no universo da culinária popular, internacional, contemporânea...


Entretanto, como tenho outras paixões, no mesmo nível de força e intensidade - dança, teatro, cinema e música - resolvi misturar tudo... Alhos & Bugalhos... E vamos ver no que vai dar... ;)

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sábado, 25 de agosto de 2012

Dentro de mim

E você vem e me pede para dizer que te amo.
Mas antes de atender ao seu pedido, paro e penso.
Não vou dizer que te amo simplesmente porque eu já sei (e você já sabe) que isso é a mais pura verdade, é a minha realidade, com a qual convivo dia e noite, até nos sonhos que insistem em trazer sua imagem. Nem nos sonhos consigo tirar sua imagem da mente. Talvez seja porque você já entranhou na minha alma, esta alma que nem é mais minha, é sua. Você chegou e tomou posse, como um guerreiro que, após vencer várias batalhas, enxerga sua vitória e finca a bandeira de sua pátria naquele território que acaba de conquistar. Sim, você fincou sua bandeira em meu coração e tomou minha alma para si, como se sempre a tivesse pertencido.
Na verdade, sempre te pertenceu. Você apenas está retomando um território que estava perdido, sem dono.
E você, com suas mãos cansadas, mas carinhosas, foi devastando as florestas mais escuras, foi podando as árvores, foi espalhando flores e cores.
O cinza das nuvens tempestuosas se tornou azul celeste. E o sol surgiu, brilhante e afetuoso.
O marrom da terra seca, das árvores de outono desfolhadas, transformou-se em verde, amarelo, laranja, vermelho, e em todas as outras infinitas cores das margaridas, girassóis e azaléias que você plantou no nosso jardim. E você reservou sua cor preferida para a rosa mais formosa. A flor amorosa, que eu vejo todos os dias quando abro a janela da nossa casa.
A água dos rios e mares fez-se cristalina.
Os pássaros abriram suas asas e, exaustos de descansar, alçaram vôo. Aos nossos olhos, dançavam no ar, ao som das nossas músicas.
Ah, sim... As músicas. Aquelas que decidiram não parar mais de tocar. As músicas que nos aproximaram e que agora nos rodeiam com graça. Dois corações em festa.
E neste território, neste SEU território, você construiu nossa casa, aquela da janela de flor, aquela em que vivemos na plenitude da felicidade, depois de termos nos reencontrado no final de tantas guerras e de, enfim, termos nos reconhecido. É a paz. É, sim, o amor, no seu significado mais absoluto. Porém é mais. Fogem-me as frases, os verbos, os substantivos, as conjugações, as letras. Desconheço-as, talvez.
E agora você vem e me pede para dizer que te amo.
Não vou dizer que te amo simplesmente porque eu já sei (e você já sabe) que isso é a mais pura verdade.
Você me tomou, coração e alma, e nós moramos um dentro do outro, e hoje, já não sei mais andar com minhas próprias pernas, pois elas só caminham se for ao seu lado. Eu só respiro se for o mesmo ar que o seu. Eu só enxergo através da sua visão, que sempre se confundiu com a minha, nesta forma única que olhamos para o mundo. Eu só durmo se for nos seus braços, com sua mão em meus cabelos, cantando baixinho no meu ouvido. Eu só escuto as palavras que saem da sua boca. Eu te pertenço. Eu sou o seu território. E te amo. Digo que te amo porque você me pediu que dissesse. E só repito que te amo porque não conheço outra palavra. É mais. É muito mais. (Flávia Burjato, em 07/05/2012)

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